quinta-feira, 31 de maio de 2012

'Imagens do Inconsciente', no Ciclo Cinema e Psicanálise na Cinemateca. Uma viagem fascinante.

Domingo fiz um belíssimo mergulho no inconsciente. Não no inconsciente dentro de mim, mas em outro que estava bem perto - mais precisamente, na Cinemateca Brasileira, onde está sendo realizado o Ciclo Cinema e Psicanálise TRADIÇÃO-INVENÇÃO, que se iniciou no dia 27 de maio e vai até 7 de outubro.

Resultado de uma parceria entre a Cinemateca, a FEPAL – Federação Psicanalítica da América Latina, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBP-SP) e o jornal Folha de São Paulo, o ciclo consiste na exibição de um filme a cada domingo, sempre às 18h, seguido de um debate com psiquiatras e psicanalistas.


Inicialmente, está sendo exibida a trilogia de documentários Imagens do Inconsciente, realizada entre 1983 e 1986 por Leon Hirszman, o premiado diretor de ‘Eles não usam Black Tie’ (1981), em versão restaurada pela própria Cinemateca. Cada filme aborda um caso clínico da grande psiquiatra Nise da Silveira, que, inspirada pelas teorias de Jung, revolucionou o tratamento de pacientes com sua abordagem humanista e a cura através da arte. Ao longo de anos, Dra. Nise coletou pinturas, desenhos e esculturas realizadas por seus pacientes, até fundar, em 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente.  

A Cinemateca lotou no domingo de estreia. O primeiro filme exibido foi No Reino das Mães (16 mm, 55’), que retrata o longo processo terapêutico de Adelina Gomes, internada no hospício após estrangular a gata de estimação da família nos anos 30. O texto, em forma de narração, é da própria Dra. Nise, que explica a simbologia presente nas obras da paciente e relata a evolução do tratamento. Segundo a médica, o doente psiquiátrico, ao "representar em imagens as experiências internas que o transtornam... estará desde logo despotencializando essas vivências, pelo menos em parte, de suas fortes cargas energéticas, e tentando reorganizar sua psique dissociada". pobre Adelina viveu nove anos à base de remédios, totalmente isolada de outras pessoas, tornando-se arredia e agressiva. Até a Dra. Nise encontrá-la e tudo mudar.

Mas quem foi Adelina?

Mulher pobre, filha de camponeses, Adelina Gomes nasceu em 1916 na cidade de Campos, Rio de Janeiro, e faleceu em 1984. Fez apenas o curso primário e aprendeu vários trabalhos manuais numa escola profissional. Moça tímida e sem vaidade, era obediente aos pais e especialmente apegada à mãe. Aos 18 anos, apaixonou-se por um rapaz que não foi aceito por esta. Assim, foi-se tornando cada vez mais retraída, até estrangular o gato da família e ser internada, em 1937, no Centro Psiquiátrico D. Pedro II, no Engenho de Dentro (RJ). O diagnóstico: esquizofrenia.

Apesar de sua atitude agressiva e negativista, Adelina aceitou, com facilidade, realizar atividades artísticas no ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional, fundado pela Dra. Nise da Silveira em 1946. Inicialmente fez esculturas de barro, modelando figuras que impressionam por sua semelhança com imagens do período Neolítico. E suas pinturas, repletas de beleza e expressividade, mostram gatos, mães com o coração fora do peito e mulheres metamorfoseadas em flor. Além das pinturas, Adelina também confeccionou flores de papel. E assim, gradativamente, foi-se tornando uma pessoa dócil e simpática. Ao final da vida, havia produzido cerca de 17.500 obras.

Adelina Gomes - Óleo s/ tela (1953) - 38 X 46 cm
www.museuimagensdoinconsciente.org.br 

As mulheres-flores e outros arquétipos: a herança arcaica e o inconsciente coletivo de Jung na pintura de Adelina.

Segundo a Dra. Nise, "a pintura dos esquizofrênicos é muito rica em símbolos e imagens que condensam profundas significações e constituem uma linguagem arcaica de raízes universais". Ela ainda menciona Freud, para o qual "...a herança arcaica dos homens encerra não só predisposições, mas também traços de recordações vividas por nossos primeiros antepassados". Jung foi ainda além nessa descoberta das "profundas camadas psíquicas que constituem o lastro comum a todos os homens e onde nascem as raízes de todas as experiências internas fundamentais, das religiões, teorias científicas, concepções poéticas e filosóficas". Desta forma, a Dra. Nise explica que "a imagem arquetípica representa não somente alguma coisa que existiu num passado distante, mas também alguma coisa que existe agora..." Essas imagens arquetípicas surgiriam das regiões da psique denominadas, por Jung, de "inconsciente coletivo". Haveria, então, um "funcionamento psíquico inconsciente comum a todos os homens, fonte não só das pinturas simbólicas modernas, mas de toda produção similar do passado".

Uma das "mulheres-flores" de Adelina - guache s/ papel (1955) - 48 X 33 cm
www.museuimagensdoinconsciente.org.br 

E foi à luz dessa "herança arcaica" e da teoria dos arquétipos e do inconsciente coletivo, de Jung, que a dra. Nise analisou as mulheres-flores de Adelina associando-as ao mito grego de Dafne: o deus Apolo apaixonou-se pela ninfa Dafne, filha do Rio Ladão e da Mãe Terra. Ela se esquiva, mas o orgulhoso deus não aceita a recusa e persegue a ninfa. Fugindo sempre, Dafne busca então refúgio junto de sua mãe, a terra, que a acolhe e a metamorfoseia em vegetal. O mito de Dafne exemplifica a condição da filha que se identifica tão estreitamente com a mãe que seus próprios instintos não conseguem se desenvolver. E Adelina, inconscientemente, reviveu esse mito em seus desenhos. Vale lembrar que, quando mocinha, ela era muito próxima da mãe até o momento em que esta a decepcionou. Dra. Nice menciona que, em determinado dia, ao viver uma situação conflitiva no asilo, sua paciente simplesmente se rendeu e, sintomaticamente, afirmou: "Eu queria ser flor".

Adelina Gomes - óleo s/ tela (1953) - 33 X 41 cm
 www.museuimagensdoinconsciente.org.br

A própria Adelina cuidava e colhia, do jardim do hospital psiquiátrico, muitas das flores que pintava.

Adelina Gomes - óleo s/ tela (1952) - 33 X 41 cm
Reprodução fotográfica: Humberto Moraes Francheschi

A pintura abaixo denota uma interação maior da paciente com o ambiente contemporâneo da cidade que a rodeia.

Adelina Gomes - óleo s/ tela (1954) - 38 X 46 cm
Reprodução fotográfica: Humberto Moraes Francheschi

Ao referir-se às esculturas, a Dra. Nise observou: "As figuras de Adelina são mulheres corpulentas, majestosas. Caracterizam-se por um arcaísmo que logo faz pensar nas deusas-mãe da Idade da Pedra". Temos, portanto, um resgate de ícones ancestrais. Veja as esculturas das "mães" de Adelina e tire suas conclusões!

Não parece uma escultura do Neolítico?
www.museuimagensdoinconsciente.org.br
E o que dizer desta aqui, com chapéu de feiticeira?
www.museuimagensdoinconsciente.org.br
Após a internação de Adelina, sua família não foi mais mencionada no filme. Imagino que a própria mãe que um dia ela tanto havia amado a tenha abandonado, o que suscita dolorosos questionamentos. Quantos pacientes psiquiátricos, totalmente dopados e com os sentidos entorpecidos por medicamentos, não poderiam produzir respostas diferentes – e animadoras – se tivessem a oportunidade de sair de seus casulos através da interação com suas famílias e/ou outros seres humanos ou mesmo com seu 'self', através da arte, da forma como a Dra. Nise fez?

Para conhecer melhor o trabalho da Dra. Nise da Silveira, acesse http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/. Lá você encontra textos dessa médica maravilhosa e catálogos das exposições de pacientes, entre outros conteúdos interessantes. 

A exibição do filme No Reino das Mães foi seguida de um debate com o Dr. Carlos Byinton, brilhante psiquiatra e analista junguiano graduado pelo Instituto Jung, em Zurique, e fundador da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. A mediação foi de Cintia Buschinelli, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Imagem emocionante: a Dra. Nise homenageia sua paciente
Adelina na Festa da Primavera do Museu de Imagens do
Inconsciente, na década de 70.
www.casadaspalmeiras.blogspot.com

Dr. Carlos falou algo que me tocou profundamente: que nós mesmos temos nossos "terapeutas internos". E disse isso ao se referir ao processo terapêutico de Adelina através do desenho e da pintura, nos quais ela exteriorizava – ou expulsava – seu caos interior e conseguia, assim, reorganizar sua psique por meio das imagens.

Em resumo: tanto o filme quanto o debate que o seguiu foram tão apaixonantes que não vou perder os próximos de jeito nenhum! 

Confira a programação dos dois próximos domingos, que exibirão os outros filmes da trilogia "Imagens do Inconsciente", sempre às 18h:
• 03/06 - "Em Busca do Espaço cotidiano" - debate com Rodney Taboada e Luiz Carlos Uchôa Junqueira, com mediação de Maria Elisa Pirozzi.
• 10/06 - "A Barca do Sol" - debate com Plínio Montagna e Nilde Parada Franc, com mediação de Inês Sucar.

As sinopses dos filmes e os currículos dos debatedores estão no site da Cinemateca: www.cinemateca.gov.br. O endereço é Largo Senador Raul Cardoso, 207 - V. Mariana - São Paulo. Tels: (11) 3512-6111 - ramal 215Ingressos: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia). Grátis para maiores de 60 anos e estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas, mediante apresentação de documento.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Restaurante Marakuthai. Receitas saborosas num ambiente sem alma.

Numa noite de sábado, fui conhecer o restaurante Marakuthai, inaugurado há cerca de três anos em São Paulo: lugar supostamente badalado, moderninho, com uma chef jovem e filial de uma casa de sucesso em Ilhabela.

O primeiro impacto, do lado de fora, foi o melhor possível: mesinhas na calçada, charme, iluminação agradável. No entanto, o frio não nos animou para um jantar ao ar livre.

Foto: Simone Catto

Foto: Simone Catto

Entramos e, confesso, esperava encontrar um salão mais espaçoso. A hostess da casa, uma jovem loira, também não era das mais simpáticas – não creio em falta de treinamento, mas de perfil para lidar com pessoas, mesmo. É óbvio que quem não sabe sorrir não pode trabalhar em restaurantes ou qualquer atividade que envolva contato humano, naturalmente.

Por sorte, conseguimos pegar a última mesa disponível. A casa tem uma iluminação agradável, mas, por alguma razão, achei o ambiente meio sufocante, apesar da pretensão de criar um clima aconchegante com detalhes de décor "descolex". Um exemplo: cada cadeira tem design diferente do outro e o mesmo acontece com os pratos de cada lugar à mesa.

Apesar da iluminação agradável, o ambiente não empolgou.

Eu queria tomar vinho, mas, como as outras pessoas da mesa optaram por outras bebidas, fiquei com a única opção de vinho tinto de 180 ml disponível e que,  felizmente, me agrada muito: o chileno Carmen, um carmenère extremamente leve. 

O vinho estava muito bom - Foto: Simone Catto

Fomos atendidas por um rapaz muito gentil que nos forneceu todas as informações que solicitamos sobre os pratos. Muitos deles, com forte sotaque oriental, são servidos com hashis ao invés de talheres convencionais. É o caso da diminuta porção Khiri Khiri que pedimos de entrada: apenas quatro (!) unidades de bolinhos cremosos de camarão com crosta de castanha de caju e molho picante de pimenta com saquê, por exorbitantes R$ 24,00. Tudo bem que o camarão normalmente é um ingrediente caro, mas nem isso justifica o preço cobrado.

A cara porção Kiri Kiri - Foto: Simone Catto

Como prato principal, optei pelas Tirinhas de Filé Mignon em molho picante de curry vermelho, levemente adocicado. Acompanha arroz jasmim e farofa de banana (R$ 45,00). Estava simplesmente divino! O sabor foi realçado pela charmosa apresentação do prato: as tirinhas de filé são servidas numa panelinha com tampa e os acompanhamentos vêm em delicadas cumbuquinhas. Ao contrário da entrada, essa refeição é bem farta e o preço justo. Basta lembrar que quatro bolinhos custaram mais da metade do que custou esse prato inteiro! 

As Tirinhas de Filé Mignon chegaram assim... - Foto: Simone Catto

... e o prato é muito bem servido! - Foto: Simone Catto

Outra boa pedida da mesa foi um prato que possui certo parentesco com o anterior: Tirinhas de Frango em molho curry amarelo, ervilha, cuscuz marroquino e arroz jasmim, com as tirinhas de frango também servidas numa panelinha e os acompanhamentos nas cumbucas (R$ 31,00).

O que posso dizer, do Marakuthai, é que valeu pela comida deliciosa. Mas não é um lugar, no entanto, que me tenha despertado o desejo de voltar, pois a ambientação – ou, como dizem os franceses, o 'entourage' - tem, para mim, importância primordial no momento das refeições. E, conforme falei anteriormente, a do Marakuthai realmente não me empolgou.  

De qualquer modo, se você quiser experimentar as maravilhosas Tirinhas de Filé Mignon, quem sabe o local não seja mais interessante na hora do almoço? Anote o endereço: Al. Itu, 1618 – tels.: (11) 3062-7556 / 3061-1015 – www.marakuthai.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Giorgio De Chirico deixa o MASP com um rastro perturbador.

Confesso que não gosto do estilo do greco-italiano Giorgio De Chirico (1888-1978). No entanto, não poderia deixar de conferir a exposição 'Giorgio de Chirico - O Sentimento da Arquitetura', no Masp, que reuniu mais de 120 obras do artista surrealista, entre pinturas, esculturas e litografias pertencentes à Fondazione Giorgio e Isa de Chirico. Criador da arte metafísica, De Chirico tem uma obra angustiante, que me incomoda profundamente. E certamente inquietar deve ter sido mesmo sua intenção – sintomaticamente, uma de suas pinturas, datada de 1916, foi batizada de Muse Inquietanti ("Musas Inquietantes").

Muse Inquietanti (1916) - óleo s/ tela

O artista tem fixação pela cidade, que aparece em sua obra em imagens oníricas que mesclam elementos arquitetônicos de diferentes épocas. Palácios renascentistas dividem espaço com chaminés de fábricas, monumentos históricos convivem com naturezas-mortas, figuras fantasmagóricas habitam pátios vazios. Tudo causa estranhamento. Segundo Maddalena d’Alfonso, curadora da exposição, "a cidade de Giorgio de Chirico é a cidade grega, renascentista e moderna, onde pode passar tanto o vapor de uma locomotiva quanto uma antiga nave grega".

Archeologi (1968) - óleo s/ tela - Obs.: mais de 50 anos se passaram entre a criação
de Muse Inquietanti e esta pintura, porém parecem pertencer à mesma época...

A praça, que na cultura greco-romana era local de reunião da elite - leia-se: poetas, filósofos, oradores, guerreiros, políticos e intelectuais, é muito presente na pintura do artista. Aliás, De Chirico certamente deve ter conhecido várias delas, já que viveu em inúmeras cidades, como Florença, Turim, Munique, Nova York, Ferrara e Paris, até fixar-se em Roma, em 1944.

Piazza d'Italia (Monumento al Poeta) (1969) - óleo s/ tela

Seus cenários arquitetônicos metafísicos reúnem, não raro, três momentos-chave da cultura ocidental: antiguidade clássica, renascimento e modernidade, colocando tempo e espaço em suspensão. Essa justaposição cultural e temporal está bem evidente na já mencionada obra Muse Inquietanti. Nessa pintura, o Castello Estense, um palácio renascentista de Ferrara, é cercado por ruínas gregas, chaminés de fábricas – ícones da era industrial – e pelas tais "musas inquietantes", esculturas-manequins que conferem à obra uma aura de mistério, transcendência e erudição. A meio caminho entre o homem, o robô e a estátua, essas estranhas figuras destacam o caráter enigmático, onírico e também um tanto melancólico das construções de De Chirico.

Em Triangolo Metafisico (con guanto) (1958), De Chirico estuda a
metafísica do triângulo e da perspectiva renascentista.

A arte de De Chirico coloca-se, portanto, como exterior à temporalidade, como negação do presente, da realidade natural e social. Por isso é metafísica. E por isso, também, constitui uma reação ao movimento futurista que floresceu à mesma época na Itália e ansiava pela aceleração do tempo e a transformação da sociedade. A escola "metafísica" começou a se delinear entre os anos 1910 e 1915, tendo se consolidado entre 1917 e 1920.

Ritorno di Ulisse (1968) - óleo s/ tela

Alguns elementos presentes nas naturezas-mortas - luvas, bolas, frutas, biscoitos etc. também são incorporados, reforçando a sensação de irrealidade. A fonte da criação metafísica, da iconografia e da realidade deslocada do artista está na filosofia de Nietzsche, Schopenhauer e também na melancolia do pintor simbolista suíço Arnold Böcklin (1827-1901) – esse, sim, me atrai! - e nas imagens fantásticas das águas-fortes do também simbolista alemão Max Klinger (1857-1920).

Arnold Böcklin - Ruínas de um Castelo (1847) - óleo s/ tela

Arnold Böcklin - Ruínas de uma Paisagem ao Luar (1849) - óleo s/ tela

Enfim... respeito a obra de Giorgio de Chirico por sua proposta inovadora e questionadora, mas, pessoalmente, sua estética não me atrai em absoluto. Prefiro o simbolismo de seus inspiradores Böcklin e Klinger. Uma questão de gosto e estilo.

Max Klinger - Eva e o Futuro (1880) - água-forte
   
Max Klinger - Noite (1883-7, impresso em 1920) - água-forte

Cantina Don Pepe di Napoli. Fartura italiana por preços light.

Quando chega o frio, sempre dá vontade de comer algo mais consistente, com mais "sustância" (sic)... rsrs, como se brinca por aí. Portanto, se você procura uma comida honesta, generosa e não estiver a fim de gastar muito, pode ir ao Don Pepe di Napoli sem erro. Com mais de 25 anos de tradição em São Paulo, essa rede de cantinas conta com seis casas, mas costumo ir à filial dos Jardins, na Rua Padre João Manuel, por considerá-la mais aconchegante.

O salão da frente, onde almocei na última vez - Foto: Simone Catto

O restaurante tem pé direito baixo, mesas com a típica toalha xadrez das cantinas italianas e três ambientes internos, fora as mesas da calçada. Normalmente vou lá para almoçar e prefiro ficar no primeiro salão, que tem grandes janelas que dão para a rua e deixam a iluminação natural entrar.

O ambiente interno - Foto: Simone Catto

O corredor lateral - Foto: Simone Catto

A área externa é agradável nos dias de sol, mas confesso que não me sinto segura com mesas tão expostas.
Foto: Simone Catto

A última vez que estive no Don Pepe era um domingo frio e estava louca para comer uma massa. Após pedirmos o couvert da casa, composto por pão italiano, manteiga, alichella e azeitonas pretas macias e bem temperadas, optamos pelo Penne al Pesto (com manjericão, alho, azeite e nozes), que serve, tranquilamente, três ou até quatro pessoas. Sem brincadeira, a travessa é mesmo gigante!!! Aliás, todos os pratos do restaurante são de uma generosidade transbordante. Não tirei foto porque, mal o garçom chegou, já começou a servir e não deu tempo nem de piscar. Porém, fotografei meu prato, o qual me deixou plenamente satisfeita.

O couvert é simples, porém honesto - Foto: Simone Catto 

O Penne al Pesto estava ótimo, mas eu como como passarinho, mesmo... rs. - Foto: Simone Catto

O cardápio também é farto, com inúmeras opções de massas, risotos, carnes, aves e peixes. Entre as massas, destacam-se algumas especialidades do chef, como o Taglierini a Don Pepe (com filé, brócolis, alho e óleo), o Spaghetti aos Frutos do Mar (napolitano, com lulas, vôngole e camarão) e o Penne ai Funghi (com molho branco, funghi secchi e whisky). Eu ainda vou experimentar todas! Rs.

O Taglierini a Don Pepe também parece muito bom.

Como já havia ingerido bebida alcoólica na noite anterior, desta vez não pedi vinho tinto para acompanhar, apesar do frio, preferindo optar por um saudável suco natural de melancia. E olhe que eu nem estava dirigindo... rs. Finalizamos a refeição com um café Gourmet Santa Mônica que caiu superbem. E nem preciso dizer que, antes de pagar a conta, pedimos para embalar a comida para viagem, de tanto que sobrou.

Quer ir ao Don Pepe di Napoli nos Jardins? Anote o endereço e mangia! Rua Padre João Manuel, 1104 – (11) 3081-4080 – www.donpepedinapoli.com.br. (Em tempo: no site você verá outras marcas de restaurantes do grupo 'Don Pepe' com outras especialidades, como pizzas, carnes e frutos do mar, mas eu ainda não as conheço.)

domingo, 20 de maio de 2012

Liszt no piano de Bertrand Chamayou com regência de Tugan Sokhiev. Puro êxtase na Sala São Paulo.

Quarta-feira tive uma experiência musical transcendental. Fui à Sala São Paulo especialmente para ouvir (e ver, e absorver, e sentir...) o Concerto nº 1 para Piano e Orquestra de Franz Liszt (1811-1885), em minha opinião um dos mais belos concertos para piano existentes nesse mundo – e provavelmente nos outros também. Sim, porque um concerto como esse tem o poder de nos transportar para outras dimensões, outras esferas, outros níveis de sensibilidade... enfim, para uma verdadeira viagem cósmica!!! Eu já estudei o bendito, e só Deus sabe como é difícil. Consumiu-me horas e horas de estudo de piano numa época em que eu nem sonhava em me tornar publicitária. Não por acaso, Liszt é conhecido também pelos desafios técnicos que suas obras impõem aos pobres – e abençoados - pianistas.

Por falar nisso, o compositor chegou à versão inicial desse concerto em 1849, depois de algum tempo de trabalho. Após revisá-lo várias vezes, alcançou a forma que considerou definitiva em 1855, quando a obra foi apresentada em Weimar com o próprio Liszt ao piano e Berlioz como regente. Fico imaginando o que sentiu a plateia naquele momento... queria ter estado lá!

Franz Liszt

Para quem não sabe, o húngaro Franz Liszt foi uma criança prodígio e encantou Viena e Paris com suas performances musicais. Como se não bastasse sua imensa virtuosidade ao piano, o homem era um gênio como compositor e ainda tinha um carisma e uma beleza física impressionantes. Dizem que as mulheres da época caíam a seus pés. Inovador, ele é que inventou o recital de piano como o conhecemos hoje, com o solista sozinho no palco tocando o instrumento. Liszt realmente nasceu "estrelado" e teve uma longa vida que soube conduzir de forma produtiva e feliz.

O gênio, mais maduro  

Do concerto a que assisti, não conhecia nem o solista, nem o maestro e nem a orquestra: o pianista francês Bertrand Chamayou, sob a batuta do russo Tugan Sokhiev no comando da Orchestre National du Capitole de Toulouse. No entanto, por se tratar de um concerto integrante da Temporada 2012 da Cultura Artística, as credenciais só podiam ser as melhores possíveis e fui assistir de olhos fechados. Não me enganei: o entrosamento entre pianista, maestro e orquestra foi perfeito e a plateia ficou hipnotizada. Dava para perceber que todos os intérpretes estavam à vontade e que se divertiam enquanto tocavam.

Do camarote superior onde me encontrava não dava para ver direito as fisionomias dos músicos e nem do maestro. Ao ler o programa, contudo, qual não foi meu espanto ao descobrir que o maestro tem apenas 35 anos de idade e o pianista 31??? Fiquei surpresa com a maturidade musical dos dois, sendo tão jovens.

A vista de nosso camarote... - Foto: Simone Catto

Chamayou interpretou o concerto de Liszt maravilhosamente bem (porém, arrisco dizer - talvez não com a força e o vigor de minha saudosa mestra, a pianista argentina Beatriz Balzi) e o maestro Sokhiev foi simplesmente brilhante. Estudou com renomados mestres russos, assumiu a orquestra de Toulouse com apenas 31 anos e já recebeu elogios rasgados da crítica especializada. Não só na França, mas em países como Áustria, Espanha, China, Japão, Rússia, Alemanha e Reino Unido. Já regeu a Filarmônica de Viena, a Filarmônica de Berlim e a Orquestra Concertgebouw de Amsterdã, entre muitas outras, tendo se apresentado em palcos como o La Scala de Milão e o Metropolitan de Nova York. Ufa!!! Um currículo e tanto para um regente de apenas 35 anos. Além disso, o jovem Sokhiev é de um carisma ímpar. Esses russos são mesmo impossíveis...

Tugan Sokhiev, o jovem maestro.

Bertrand Chamayou, o pianista, nasceu na própria cidade de Toulouse. Estudou no disputadíssimo Conservatório de Paris e, depois, em Londres, com a grande pianista italiana Maria Curcio. Jornais como o 'Le Figaro' e o 'Le Monde', na França, já teceram elogios rasgados ao rapaz. Segundo o catálogo do concerto, Chamayou é um dos pianistas mais requisitados de sua geração – seja como solista, recitalista ou músico de câmara. Já ganhou vários concursos de piano e tocou em salas como a Pleyel (Chopin se apresentou por lá), o Théâtre des Champs-Elysées e o Lincoln Center de Nova York, entre muitas outras. Esse tem uma grande carreira pela frente. Simpático, premiou o público com um bis impecável – uma peça também de Liszt cujo nome, confesso, ainda não sei.

Bertrand Chamayou, um excelente pianista.

Além do Concerto de Liszt que me levou até lá, a orquestra também interpretou, com grande brilho, a Abertura Kovantchina e Quadros de uma Exposição, ambas do russo Modest Mussorgsky (1839-81) e orquestradas por Ravel.

Ao final, maestro e orquestra foram longamente ovacionados e fomos presenteados com um maravilhoso bis: a famosa Abertura da ópera Carmen, do francês Georges Bizet (1838-75). Mais aplausos que não acabavam mais, e eis que ganhamos mais um bis super empolgante: a Dança Russa, da Suíte Quebra-Nozes, do russo Tchaikovsky (1840-93). Um gran finale para uma grande noite. Bravo!!!

Nem é preciso dizer que a Sala São Paulo é um espaço perfeito 
para concertos desse nível - Foto: Simone Catto

Chegamos cedo ao local e, enquanto aguardávamos o horário do concerto, tomamos uma taça de vinho apreciando o movimento - Foto: Simone Catto 

Em tempo: não achei nenhum vídeo de Chamayou na web interpretando o Concerto nº 1 para Piano e Orquestra de Liszt, mas achei a incrível performance de Lang Lang, o endiabrado chinês que você pode ver aqui acompanhado pela BBC Symphony Orchestra, sob regência de Edward Gardner no Royal Albert Hall de Londres. Detalhe: Lang Lang deve estar se apresentando agora na Sala São Paulo, com outro repertório. Ouça e babe.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sodiê Doces. Os melhores bolos de Santo André por ótimos preços.

ATENÇÃO: DESDE O FINAL DE 2012 ESTA LOJA ESTÁ SOB NOVA DIREÇÃO E NÃO RETORNEI AO LOCAL APÓS A SAÍDA DOS ANTIGOS PROPRIETÁRIOS. PORTANTO, É RECOMENDÁVEL CONFIRMAR AS INFORMAÇÕES DESTE POST POR TELEFONE.

Normalmente, é difícil eu ir a Santo André. Primeiro, porque fica meio distante de onde moro. E segundo (e principalmente!!!), porque sou uma perdida máster e correria sério risco de ir parar no sertão de Caicó... rs. Há um motivo, porém, que mais do que justificou minha ida para lá dia desses (acompanhada, naturalmente, para não me perder até mesmo com GPS!... rs). Esse motivo tem nome: Sodiê Doces.

Foto: Simone Catto

É inacreditável a qualidade dos bolos que eles fazem por lá. São mais de 75 sabores, um mais gostoso que o outro. Aliás, há tantos bolos maravilhosos na vitrine que fica até difícil escolher!

A loja é super aconchegante - Foto: Simone Catto

O bolo cor-de-rosa, na foto abaixo, é um dos que mais me atraíram. Chama-se Alpes Suíços com Morango e é feito de pão de ló, recheio de trufas brancas e mousse branco com morangos, cobertura de mousse branco, suspiros, calda de morango e morangos. Nham! À sua direita, está o Trufado Preto e Branco (pão de ló de chocolate, recheio de trufado preto e trufas brancas, cobertura de trufado de chocolate preto e trufas brancas e cerejas e bolas de cereais). 

A vitrine, tentadora! - Foto: Simone Catto

Os 'chocólatras' passam muito bem com a Sodiê. Veja, abaixo, algumas das mais de trinta versões de bolos de chocolate que a casa oferece: na prateleira de cima, ao centro, está o Alpes Suíços (pão de ló de chocolate, recheio de mousse branco e trufado de chocolate, cobertura de mousse branco, suspiros e calda de chocolate). Na de baixo, também no centro, vemos o Dois Amores (pão de ló de chocolate, recheio de brigadeiro e beijinho, cobertura de trufado de chocolate preto, chocolate granulado, beijinhos, brigadeiros e cerejas). E à sua direita, o Aerado (pão de ló de chocolate, recheio de mousse de chocolate e creme de chocolate branco aerado, cobertura de mousse de chocolate, raspas de chocolate preto e branco e cerejas).

Mais tentação... - Foto: Simone Catto

Segundo o proprietário, Júnior, muitos clientes preferem encomendar seu sabor favorito para não correrem o risco de ficar sem. Durante o tempo em que estive na loja, vi também que várias pessoas entraram para comer uma fatia lá mesmo, enquanto tomavam um espresso tirado na hora.

Esses eram os bolos para consumo na própria loja - Foto: Simone Catto

Quem quiser saborear um bolo com café, pode se acomodar numa das mesinhas. 
Foto: Simone Catto 

Todos os bolos que experimentei são extremamente leves, o que para mim é fundamental. A boa notícia é que a Sodiê também faz dez tipos de bolos na versão 'zero açúcar' para quem está de dieta. Eu experimentei o de Trufas Brancas com Nozes e Damasco (pão de ló, recheio de trufas brancas com nozes e mousse branco com geleia de damasco, cobertura de chantilly, geleia de damasco e nozes) e achei tãaaaaao bom, mas tãaaaao bom, que – juro! - nem parece diet!!!

Abaixo está nossa encomenda – ele mesmo, o meu preferido: o bolo de Trufas Brancas com Nozes e Damasco, agora em formato de coração. Delicioso!!!

O amor não é só lindo, dá água na boca!!! rs - Foto: Simone Catto
                                                                                                                                        Vale dizer, também, que o atendimento é impecável. Júnior e Bete, o simpático casal de proprietários, atendem os clientes pelo nome e são de uma gentileza ímpar. (Aliás, eles devem ter uma memória prodigiosa pra lembrar o nome de tanta gente. Tô começando a achar que comer bolo faz bem para o cérebro!!! rsrs)

Detalhe importantíssimo: se você pensa que esses bolos deliciosos custam caro, está muito enganado(a)! O quilo dos bolos normais varia entre R$ 30,00 e R$ 37,00, e o dos bolos 'zero' custa R$ 42,00. Simplesmente a metade do preço da 'Amor aos Pedaços'! É por isso que, mesmo se você morar em São Paulo, vale a pena encomendar seu bolo na Sodiê de Santo André.

Anote o endereço: Rua Filinto de Almeida, 26 – Boa Vista (Vila Gilda). O telefone para encomendas é (11) 2325-8000. A loja abre de segunda a sábado das 9h às 18h, e domingo das 10h às 13h. Confira os sabores no site www.sodiedoces.com.br e... escolha o seu!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

'O Prazer', uma pequena obra-prima de Max Ophuls na Cinemateca.

Que saudades do tempo em que, criança e até mesmo já adulta, assistia a filmes antigos com minha vovó, na televisão da sala de casa! São filmes que, infelizmente, mal passam na TV a cabo hoje – e o que dizer, então, da TV aberta, que está cada vez mais deprimente?

Pois é. Quarta-feira tive o privilégio de assistir a um daqueles belíssimos filmes antigos na Cinemateca Brasileira: O Prazer, dirigido por Max Ophuls (1902-1957).  Eu já havia ouvido falar desse diretor, mas confesso não me lembrar de ter assistido a nada dele anteriormente. O Prazer é constituído de três episódios baseados em contos do francês Guy de Maupassant: A Máscara, A Casa Tellier e A Modelo. Produzido em 1952, é rodado em preto e branco, tem 97 minutos e inclui no elenco atores como Jean Gabin, Madeleine Renaud, Claude Dauphin, Danielle Darrieux e outros.

O primeiro episódio, A Máscara, conta a história de um mascarado elegantemente vestido que frequenta o Palais de la Danse, uma animadíssima casa de bailes parisiense, e acaba sofrendo um ataque. Um médico o acode e o leva para casa, onde sua leal e velha mulher, resignada, lhe conta que o marido, outrora um homem jovem, cobiçado e cheio de glórias, agora percorria os bailes noites a fio na tentativa de seduzir as jovens e recobrar a alegria de sua juventude. O uso da máscara era um patético recurso para esconder sua velhice e criar uma aura de mistério em torno das moças. A música intensa em ritmo de cancã e o travelling frenético da câmera faz com que 'mergulhemos' no baile e nos envolve de tal forma, que é quase como se estivéssemos ali, esbarrando naquelas alegres pessoas que buscam o prazer a qualquer custo. Senti-me num quadro de Toulouse-Lautrec!


O mascarado, tentando seduzir uma dançarina. Puro Lautrec!

Fiquei com vontade de sair dançando cancã ao ver essa cena! Certa vez aprendi alguns passos no balé...

O segundo e mais longo episódio, A Casa Tellier, mostra um alegre bordel que convive pacificamente com a vizinhança e é frequentado por "respeitáveis homens de bem". Lá, tudo é alegria: as moças bebem, dançam, cantam e parecem se divertir muito com os amáveis e galantes clientes, em sua maioria senhores bigodudos de meia-idade. A câmera vai passeando do lado de fora do bordel e flagra movimentos fragmentados em seu interior, para a delícia do espectador voyeur

Até que um dia o bordel aparece fechado e os homens "dão com a cara na porta", desconsolados. Tudo porque a sobrinha da "madame" do lugar, uma bela cafetina, fará sua Primeira Comunhão, e toda a trupe, contando seis moças com a "madame", dirige-se alegremente para a festa da menina numa cidadezinha do interior. Aí temos, então, o contraponto entre os prazeres mundanos de Paris e a simplicidade dos prazeres do campo, com sua natureza, seu silêncio e a pureza de sua gente. As meninas que farão a Primeira Comunhão, já grandinhas, parecem pequenas noivas, todas de branco, em seu séquito para a igreja. 

As moças assistem à missa, embevecidas, ao lado do anfitrião.

As garotas se divertem na festa da Primeira Comunhão no campo.

A alegria e a extravagância das moças da cidade encantam os habitantes do vilarejo, notadamente o anfitrião, um carpinteiro bonachão irmão da cafetina, que fica particularmente atraído por uma delas, a prostituta Rosa. A pureza da vida simples e a emoção da cerimônia na igreja local, por sua vez, comovem as cortesãs acostumadas a prazeres tão mundanos e opostos. O episódio termina com a trupe retornando a Paris e uma certeza: aqueles dois dias no campo permanecerão para sempre na memória de todos. Para as moças, porque tomaram contato com sensações tão singelas quanto inéditas. E para o bondoso carpinteiro, porque vislumbrou, como se estivesse espiando por uma fresta, relances da vida esfuziante de Paris personificada nas cortesãs.

O anfitrião bebe demais e repete dez vezes a mesma coisa... rs.

A caminho da estação de trem para o retorno das meninas a Paris, o carpinteiro para sua charrete para apanharem algumas flores. 

O último episódio, A Modelo, conta a história de uma paixão súbita – ou coup de foudre, como dizem os franceses – entre um jovem pintor e sua modelo mais jovem ainda. O casal passa a dividir o mesmo teto e, três meses depois, a relação inicial, com suas juras de amor eterno, descamba para a displicência, até chegar à frieza e à mais pura agressão, com direito a pratos e objetos voando pela casa. Até que a jovem ameaça se atirar pela janela e... algo acontece.

Aqui, o amor ainda era lindo...

E aqui, faziam juras de amor eterno, mal imaginando o que viria depois.

De todos os episódios, fica uma lição: o prazer fugaz é fácil e acessível a todos, mas a felicidade, bem... a felicidade verdadeira é algo beeeem diferente!

A exibição do filme O PRAZER faz parte de um ciclo dedicado a Max Ophuls que vai até o dia 13 de maio na Cinemateca Brasileira. Será exibido novamente nos dias 11/5 (sexta-feira), às 18h30, e 13/5 (domingo), às 20h. Consulte a programação completa, com as sinopses de todos os filmes, no site http://www.cinemateca.gov.br/A Cinemateca fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207. Imperdível para quem gosta dos clássicos e... sente saudades da vovó.