sexta-feira, 26 de abril de 2013

'Naê Sushi', na Vila Clementino. Um harakiri gastronômico.

Não é de agora que comento sobre a quantidade de restaurantes japoneses na região da Vila Clementino. O problema é que quantidade nem sempre significa qualidade. Outro dia, fui jantar no Naê Sushi, rodízio aberto há poucos meses na R. Dr. Diogo de Faria. Eu nunca me furto a conhecer novas casas, a menos que algum amigo ou outra pessoa que me conheça bem tenha ido antes e me alerte de que o lugar não é bom.

Foto: Simone Catto

Vista de fora, a casinha com árvore à porta, tijolos à vista e frente envidraçada é bem simpática. O salão da frente, com vista para a rua, é mais agradável. No entanto, ao adentrarmos o ambiente seguinte, topamos com um espaço totalmente frio, insípido, desprovido de charme e de qualquer objeto decorativo. Não há nenhum detalhe interessante ou item que denote uma preocupação, por mínima que seja, em deixar o local mais acolhedor.

O salão externo é um pouco mais simpático - Foto: Simone Catto

Já o salão interno é totalmente insípido! - Foto: Simone Catto

Além disso, à exceção de uma jovem que nos atendeu, o atendimento me pareceu absolutamente amador. Vou dar um exemplo: em determinado momento, ao servir a mesa, o garçom esbarrou em meu saquê, derramou um pouco na mesa e não teve sequer a iniciativa de pegar um pano para limpá-la. O líquido ficou lá, à espera que eu tomasse alguma providência.

O saquê era uma das poucas coisas autênticas no restaurante - Foto: Simone Catto

Como optamos pelo rodízio (34,90 no jantar de segunda a quinta), logo chegaram umas entradinhas à base de salmão e camarão. Estavam boas e a atendente que as serviu - a única da equipe que parecia ser mais profissional - soube nos explicar como eram feitas.

As entradas, poucas, foram os únicos itens bons da refeição - Foto: Simone Catto
  
Os problemas vieram depois. O garçom nos perguntou se queríamos o combinado misto, isto é, completo, de sushis e sashimis – isto porque algumas pessoas pedem somente itens à base de salmão. Optamos pelo misto, como sempre fazemos, esperando que viesse no mínimo com os três tipos de peixes usualmente servidos nesse prato nos rodízios do gênero: salmão, atum e tilápia. No entanto, vieram apenas unidades com salmão e atum, nada de tilápia. Está certo que talvez devêssemos ter perguntado antes, mas, como em TODOS os rodízios japoneses que conheço a tilápia tradicionalmente faz parte do prato, no mínimo esperávamos que estivesse lá também. Além disso, não havia nem sombra do tradicional salmon skin ou dos onipresentes norisushis (aqueles sushis redondos com algas escuras em volta). A porção era de uma pobreza como nunca vi.

Mas o pior, mesmo, foi a qualidade de alguns ingredientes. O corte dos sashimis era grosso e amador, deixando o sabor dos peixes alterado e desagradável. A porção de shimejis era sofrível. Os cogumelos estavam duros e o tempero era praticamente inexistente. Não deu para comer.

O combinado de sushis e sashimis, monótono e com os sashimis mal cortados - Foto: Simone Catto 

Ao final, pedimos uma sobremesa que estava incluída no rodízio, sushis doces de goiabada com uma casquinha frita. Estavam bem bons, mas a experiência anterior dos pratos salgados havia sido tão negativa que nem deu para curtir direito a sobremesa.  

Obviamente, não pretendo mais voltar ao Naê Sushi. Deu para perceber que as falhas são estruturais, e não lapsos isolados. O preço do rodízio é inferior? É. Mas nem isso justifica tanta falta de cuidado e amadorismo. Melhor tocar para o Kiishi, o Koji ou o São Paulo Tokyo, que ficam pertinho. Em todo caso, só para dar o serviço completo, segue o endereço: Rua Dr. Diogo de Faria, 301 – Vila Clementino.

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